agosto 2009

Uma
reunião realizada nesta terça-feira (25) na Câmara dos Deputados em
Brasília entre parlamentares, representantes de ONGs e  o Ministério da
Saúde  apontou os principais problemas que existem no País em função do
isolamento de algumas comunidades e a dificuldade de fixação dos
profissionais de saúde nestes locais.

Dois vídeos veiculados na
sessão, produzidos pelas ONGs, apresentou índices e demonstrativos sobre
a realidade social dos povos ribeirinhos e o trabalho que estas
instituições realizam periodicamente – número de atendimentos,
cirurgias, programas de educação infantil, entre outros. “Nosso objetivo
é dar cidadania através do acesso à saúde. O grupo é composto por
profissionais voluntários que se dedicam um mês de suas vidas para
melhorar a qualidade de vida destas pessoas que muitas vezes tem que se
deslocar dias para conseguir uma simples consulta”, comentou o
presidente da ONG Expedicionários da Saúde, Ricardo Affonso Ferreira.

Para
o  coordenador do Núcleo de Saúde Comunitária do Projeto Saúde e
Alegria, Fábio Lambertini Tozzi, o SUS é uma garantia importante da
sociedade, mas que precisa atingir a todos. “A Amazônia é um desafio que
precisa ser vencido. Nas regiões onde visitamos há pequena cobertura da
saúde suplementar. A renda das famílias é baixíssima e em alguns locais
a média do número de médicos é de 1 para 4466 habitantes. É um dado
alarmante”. Outro ponto apresentado por Tozzi foi o trabalho permanente
com educação infantil. “Temos grande preocupação também em levar até as
escolas e os vilarejos noções básicas de higiene, nutrição e cuidados
com a saúde”.

A deputada federal Elcione Barbalho (PMDB-PA)
complementou a fala afirmando que em recente pesquisa realizada,
constatou-se no mesmo estado uma situação pior ainda. “Dos 143
municípios do Pará, apenas 43 tem médicos. O governo esta brincando com a
região”, disse Elcione. O deputado federal Germano Bonow (DEM-RS)
também falou sobre sua experiência na região norte do país, quando lá
foi trabalhar como médico recém formado. “Quando cheguei no Amazonas,
tínhamos problemas diversos e eu me questionava porque estava ali. Foi
um grande aprendizado, mas não consegui permanecer devido a todos os
problemas que enfrentava na época”.

Segundo o presidente da
Associação Médica Brasileira, José Luiz Gomes do Amaral, há muitas
informações equivocadas na imprensa. “Infelizmente há um entendimento no
Brasil que faltam médicos para atender as pessoas. Isso não é verdade. O
que existe é uma desigualdade permanente no número de profissionais por
habitante em cada região. Além disso, podemos acrescer mais um fato
triste que é a falta da oferta de especialistas em muitos locais”, disse
Amaral.

Perspectivas

A Diretora de Gestão e da Regulação
do Trabalho do Ministério da Saúde, Maria Helena Machado, comentou sobre
uma iniciativa do executivo para melhorar o atual quadro de permanência
dos profissionais da área. “Estamos trabalhando para a implementação de
uma carreira nacional para o SUS, que deverá ser ainda discutida com as
entidades, associações e o parlamento. Realizaremos em Recife um
seminário internacional entre os dias 1 e 3 de novembro para discutir
justamente esta questão da experiência de fixação de trabalhadores das
áreas de saúde juntamente com representantes de outros países. Queremos
saber como eles conseguiram obter êxito neste processo. Lá podemos
ampliar este debate da nova carreira”, disse ela.

Entretanto,
para o deputado federal Eleuses Paiva (DEM-SP), a questão toda está na
falta de aplicabilidade de políticas de estado concisas do Ministério da
Saúde e na fragilidade da relação de trabalho. “Os profissionais que
trabalham para o SUS recebem baixos salários e não tem um vinculo forte ,
duradouro com a entidade. Se esta é a situação atual, o que seria
daqueles que poderiam ingressar nesta nova carreira É uma grande
instabilidade. A tentativa também do governo em trazer profissionais de
outros países, como Cuba, nos mostra um cenário ruim. Parece-me que as
iniciativas deste governo caminham para trás”, disse Paiva.

De
acordo com o coordenador do Núcleo de Saúde Comunitária do Projeto Saúde
e Alegria, a criação de um barco-escola para estudos e ensino médico
nestas comunidades distantes possibilitaria não só mais acesso a
atendimentos de saúde, mas também maior aproximação entre os
profissionais e as populações assistidas.

 É com grande prazer que anunciamos o início dos patrocínios aos Expedicionários da Saúde, do escritório de advocacia Lemos Associados Advocacia, Campinas-Sp e do Instituto Afrânio Affonso Ferreira, Salvador-Ba